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Reflexões sobre o sistema bancário brasileiro

Sep 27, 2014 | 3 minutes read
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Esse post surgiu pra comentar rapidamente sobre a startup brasileira Nubank que, se auto intitulando “a nova geração de serviços financeiros no Brasil”, recebeu um investimento series A de US$14.3M na última semana.

Essa pra mim tem sido a ideia bilionária já há algum tempo. Não vejo ninguém realmente apostando sério, com o real objetivo de inovar no ramo. Por isso é fácil ficar animado com algo como o Apple Pay, que apesar de não ser coisa de outro mundo, é um passo pra tornar a interação mais simples e confortável pro usuário.

Qualquer um da geração Y (1980–2000) sabe que o sistema bancário em geral — seja em contas bancárias, pagamentos, empréstimos ou investimentos — não acompanhou as mudanças que ocorreram nas últimas décadas. Por isso fica tão difícil de confiarmos nessas empresas. Muito pouco do processo interno é público, então só aumenta o sentimento de que pagamos muito pra ter um serviço ruim.

existe regulamentação pra abertura de contas bancárias simples, que oferecem poucos serviços “offline” esperando que o cliente prefira trocar o atendimento na agência por uma taxa fixa mais baixa (possivelmente inexistente).

O que impede do banco revelar claramente o porquê de um empréstimo ter sido negado? Engenharia reversa do algoritmo de avaliação de crédito? Open Source tá aí pra mostrar que isso pode ajudar a melhorar o código e atrair clientes interessados em transparência.

Investimentos? Bom, se tu conhecer uma interface de trader (ou qualquer coisa mais simples que use meu dinheiro pra me retorná-lo com juros) que não precisa de ao menos alguns meses de experiência com o mercado financeiro, por favor me dá um toque. Eu nunca encontrei um. Até mesmo pra investimentos (sic) em poupança você precisa fazer um curso. Além de ter uma UX sofrível, o Banco do Brasil (único do qual posso falar já que sou cliente) requer que tu saiba o número da variação da poupança (que só encontrei em uma página de ajuda ao pesquisar no Google). Me pede confirmações de ações sem mostrar um resumo do que estou aprovando e pede que eu volte pra a página anterior pra lembrar.

Esforços do mercado em atualizar a tecnologia geram resultados como conexão do Facebook com minha conta do Banco do Brasil ou adição de favoritos e amigos num dashboard que pouco conhece o meu perfil de usuário e oferece apenas uma pequena área pra que eu possa listar as ações que geralmente executo no Internet Banking. Sem falar que pra configurá-lo tenho que instalar Java, rodar num browser (às vezes até SO) específico; tudo em troca de “segurança”.

Tenho certeza que sistemas bancários são responsáveis por muita inovação no ramo de software (em machine learning e bancos de dados, por exemplo) que não é exposta à todos, mas todo o resto — design, atendimento e transparência — deixa a desejar. Falta melhorar toda a experiência e focar no usuário das próximas gerações, e não as atuais…

Sem falar que gostaria muito de ver Bitcoins se tornando um meio de pagamento mais acessível e saindo do mundo nerd (geraria regulamentação, mas também poderia ajudar a estabilizá-lo). Mas isso já pode ser utopia demais.